Beyond Two Souls, Heavy Rain e Detroit: Become Human- David Cage, o opressor usando opressão como estetica
David Cage criador dos jogos Heavy Rain, Beyond: Two Souls e Detroit: Become Human respectivamente, pode ser considerado o um dos primeiros desenvolvedores de jogos que tenta misturar a arte de vídeo games com a experiência mais tradicional de teatro e filme, seus jogos são filmes interativos de certo modo aonde seu personagem tem escolhas a se tomar, mas com o seu jogo mais recente, Detroit: Become Human e capaz de se notar o quão juvenil e artisticamente hipócrita esse desenvolvedor pode ser.
- Detroit: Become Human
Começando por seu jogo mais recente David Cage usa robôs como uma metáfora para racismo, utilizando frases de ativista M.L.K. como "I have a dream" frase icônica de seu discurso contra a segregação americana de brancos e negros, imagens referenciando a logo do movimento "black lives matter" e momentos referenciando a segregação como androids sendo forçados a ficarem de pé no fundo do ônibus e outros momentos referenciando o holocausto.
David e seu parceiro na escrita do jogo, Adam Williams, são dois homens brancos, cis, europeus e heteros, David sendo francês e Adam sendo britânico, escrevendo sobre a área de Detroit no Estados Unidos conhecida por sua violência e gangs aonde 77.7% de sua população é negra, ambos que usam a opressão como estética em seu jogo, mas ao mesmo tempo sendo opressores.
Começando pelo primeiro caso e o mais claro de sexíssimo, Kara, a única protagonista mulher, Kara como todo personagem pode ter vários finais dependendo de suas escolhas no jogo, mas ela é forçada a ter o papel de mãe, cuidando de uma menina que no final é revelada a ser uma androide como ela, jogando como Kara não importa suas escolhas ela sempre será forçada a cuidar e ter uma relação materna com a menina Alice, nenhum final positivo existe aonde Kara não se torna uma mãe para a criança, demonstrando que na visão de David, especialmente se você referenciar seus trabalhos passados, uma mulher não pode ser feliz se ela não for mãe, existe também uma chance dependendo de suas escolhas que o pai abusivo de Alice de quem Kara a salva pode pedir desculpas e se redimir com a criança, a implicação que androides podem vir com aparência de crianças e um homem pode compra-la abusar de tal fisicamente sem consequências, torna o mundo que David cria sombrio de maneira que claramente não foi proposital e demonstra sua imaturidade em lidar com tópicos mais pesados.
A um momento aonde você poderá recrutar o personagem Luther, o único homem negro de pele mais escura do jogo, ele é primeiramente visto como um bruta montes, estereotipo hostil contra homens negros, na cena que ele pode ser recrutado a um momento aonde Kara é presa e pode ter suas memorias apagadas, em teoria é um momento de tensão, mas em pratica e com contexto de jogos passados, se torna claro que é gravado de maneira fetichista, mulheres nos jogos de David Cage sempre, em algum momento são amarradas, experimentas ou objetificadas (o jogador pode evitar que a personagem seja torturada, mas ela sempre será amarrada contra sua vontade não importa suas escolhas), destacando-se que: esse tipo de tortura só se ocorre entre as mulheres dos jogos de David Cage, nunca, em qualquer outro jogo, um homem é amarrado e gravado da mesma forma que as mulheres.
Connor, Connor é um dos protagonistas do jogo, é um dos personagens mais carismáticos e é amado pelo os fãs da franquia, durante todo o jogo, Connor pode se tornar mais rebelde e ir contra sua programação ou virar 100% um android sem emoção, os dois lados sendo representados por Frank, um homem branco velho de olhos azuis que apela para o lado mais humano de Connor, e Amanda, uma mulher negra que vive dentro da cabeça de Connor como uma voz interior e tenta leva-lo para o lado de seguir sua programação, Amanda é a única mulher negra que afeta a historia de maneira mais predominante e ela é vista como antagonista.
Connor durante a historia também pode ser violento com androides mulheres, duas das três sendo mulheres de programa lesbicas, ser violento com elas pode causar o Connor a ter o final ruim de sua historia, mas ainda se é possível ter o melhor final mesmo as violentando, lembrando-se as únicas personagens LGBT+ do jogo são duas lesbicas, extremamente sexualizadas, abusadas sexualmente e fisicamente por homens em strip clubs de androids e que o jogador pode assassinar a sangue frio.
Connor e Frank tem um relacionamento que pode ser considerado queer-coded ou implicações de ser queer, muitos da comunidade veem o relacionamento dos dois como algo romântico, mas nada é confirmado e Frank já foi cassado e teve um filho com uma mulher, David Cage já foi acusado de dizer que seus jogos não são feitos para viados e entre outras falas homofobicas, sexistas e racistas.
Markus é o ultimo e o mais importante personagem de Detroit: Become Human, Markus é o personagem que conecta todos as 3 historias dos personagens principais, sua historia é focado no racismo que androids sofrem nas mãos de seres humanos. Markus é atuado por um homem mestiço, mas racismo é claro no trabalho de David quando o único personagem principal que não é branco em seus jogos e sua historia é somente sobre racismo, Markus trabalhava para um homem velho rico branco que o tratava como filho, mas seu filho biológico o mata e culpa o Markus, durante o jogo você terá opções entre ser um movimento pacifista e um movimento violento, durante todo o jogo se você seguir o movimento violento você é julgado por a maioria dos personagens enquanto o jogo usa frases de M.L.K. completamente esquecendo que ele já disse varias vezes que "violência é a linguagem dos que não são ouvidos", o jogo também força Markus em um relacionamento heterosexual com a personagem North, dependendo de suas escolhas, você não consegue recusa-la na cena em si.
- Beyond: Two Souls
Beyond: Two Souls é cheio de controvérsias uma delas é que na cena aonde quando Jodie se prepara para um encontro ela toma um banho, no jogo original o corpo nu é apenas implicado e nunca vemos o corpo inteiro, mas após jogadores conseguiram quebrar a câmera, se foi descoberto que o modelo do corpo estava 100% modelado com texturas realistas ao corpo nú do ator, Elliot não deu permissão para isso resultando em um processo por danos morais. Até hoje Beyond: Two Souls nunca atualizou seu jogo para mudar os créditos e tirar o nome morto do ator.
A historia do jogo em si é repleto de sexismo, Jodie cresce sendo observada como um rato de laboratório e como é de se esperar em trabalhos de David Cage, Jodie quase é estuprada num bar em uma cena, após pesquisas de data miners, pessoas que gostam de explorar conteúdo cortado em jogos utilizando arquivos dentro do jogo, foi encontrado que teria a opção de Jodie ser estuprada se o jogador nao fizesse nada.
Jodie é sempre uma garota indefesa se não fosse pelo espirito que está conectada a ela após mesmo se tornar uma espiã para o governo americano, no final do jogo a mesma tem varias opções para seu final 3 de 5 opções envolve ela largar tudo para ficar com um homem, o final é o melhor envolve Jodie ficando com um homem que não só a abandona quando Jodie sofre um gatilho relembrando seu assedio sexual mas também mente para ela em pro do governo americano e faz ela matar uma rebelião contra a ditadura em um pais africano (o jogador é obrigado a matar o líder dessa rebelião e não consegue falhar na missão).
O jogo também tem cenas com uma família indígena americana, aonde os ancestrais dessa família chamam a ajuda de um espirito para "se vingar do homem branco" eles são vistos como irracionais por terem invocado tal espirito, eles são estereotipados como um povo místico e Jodie é a garota branca que salva o dia.
- Heavy Rain
O jogo só tem um homem negro durante toda sua historia, um ex-presidiário que tenta matar um dos personagens principais por investigar a cena de um crime.
A única mulher que você pode jogar se chama Madison e durante todo o jogo ela é sexualizada incluindo uma cena aonde ela luta contra homens mascarados somente de calcinha e um top branco, essa cena é apenas um pesadelo e nunca mais é mencionada durante o jogo, nao importa se você sucedeu nos desafios ela sempre ira morrer nessa sequencia, e como é de se esperar Madison é quase estuprada em uma cena, Madison também tem vários finais igual a todos os outros personagens, mas igual a outros jogos seu final feliz ocorre se Madison ao se casar com um dos personagens principais e virar uma madrasta para o filho do homem.
- Pensamentos Finais
Aqui estão alguns jogos criados por pessoas negras, queer ou que aborda tópicos LGBT e racismo de maneira interessante e respeitosa que você pode dar suporte hoje, todos com o valor igual ou abaixo de 70 reais:
Night in the Woods
Coffee Talk
Spirit Swap: Lofi Beats to Match-3 To
An Airport for Aliens Currently Run by Dogs
ValiDate: Struggling Singles in your Area
Escrito por: Odie T. Pires
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