Conectanto teatro, tecnologia e transformação social
Hoje vivemos um momento único e desafiador em sala de aula... Foi a primeira vez que transformamos nossas cenas presenciais em cenas tecnoviviais. A experiência surgiu a partir de uma chamada de vídeo no WhatsApp da turma, um experimento que nasceu do improviso.
O que buscamos é simples: experimentar, errar, acertar, observar... E assim tem sido nosso processo – uma construção viva, cheia de riscos.
Estamos no fim do ano. O cansaço é evidente, mas resistimos porque acreditamos no potencial do que estamos criando: algo que dialogue com o público, com nossos alunos, e que, mais do que tudo, possa se tornar uma ferramenta de transformação social. A tecnologia, apesar de nossa aliada, também nos testou. Na experiência #1, ela atrapalhou mais do que ajudou.
Curiosamente, entre várias cenas possíveis já trabalhadas em sala, as duas escolhidas para serem adaptadas ao WhatsApp abordaram abusos no comércio e nas relações de consumo. O foco recaiu sobre situações de vendedores pressionados e clientes enganados – uma dinâmica em que, quando algo dá errado, a corda arrebenta para o lado mais fraco. Os clientes acabam sendo as vítimas dos excessos do sistema comercial, mas os vendedores também são explorados, presos em uma lógica de metas e pressões que os levam ao limite.
Foram apresentados temas como racismo e práticas fraudulentas. Em uma das cenas, um jovem negro tentava comprar uma base de maquiagem para a namorada, mas descobriu que a loja só vendia o produto em um tom de pele “padrão” que exigia a compra de dois tons para formar a cor ideal. Indignado, ele questionava essa exclusão racial que está embutida nessas práticas. Na outra cena, foi retratado o absurdo de um sistema comercial que força clientes a fazerem assinaturas de cadastros para adquirir um carro, prometendo condições financeiras inviáveis. O comprador, sem saber, é encaminhado a uma empresa que manipula o em sistema, maquiando avaliações e criando uma cadeia de fraudes que leva à inadimplência e ao endividamento – uma prática que prejudica principalmente os consumidores mais vulneráveis.
Com múltiplos celulares e uma plateia voyeur – que se manifestou de forma crítica e divertida no chat do aplicativo, proporcionando uma interação inesperada –, percebemos o potencial dessas cenas para provocar reflexões. A interação entre elenco e plateia foi tímida, afinal, tivemos apenas 15 minutos para adaptar tudo, mas o processo trouxe aprendizados valiosos.
Houve falhas, claro. A conexão instável, o controle dos áudios escapando aqui e ali, vozes picotadas... Ainda assim, o caminho está aberto. Estamos no meio do processo. Há tempo para errar, acertar, ousar mais. Uma coisa é certa: estamos nos divertindo. E, ao mesmo tempo, estamos construindo algo maior – algo que pode transformar. Entre experimentos e tropeços, estamos tecendo uma nova rede... uma pequena comunidade onde arte, tecnologia e crítica social caminham juntas.
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