Arthur Emídio
O teatro é historicamente atravessado por questões sociais e políticas, e ganha novos contornos na contemporaneidade ao se deslocar para o ambiente virtual, principalmente durante a pandemia da Covid-19, período esse que trouxe impactos significativos para a forma de se produzir e consumir arte no mundo, que segundo Jorge Dubatti, nos propõe uma forma diferente de interação e de construção de linguagem. Apesar de diferente do convencional, o teatro virtual ao mesmo tempo que limita algumas experiências, nos permite pensar questões importantes, como o acesso à arte, o uso das redes sociais e da Inteligência Artificial, a interação com a plateia e a efemeridade da obra.
É então, a partir das práticas experimentadas na disciplina junto ao diálogo teórico que construímos ao longo do semestre, reflexões sobre o teatro virtual político. Tais reflexões foram construídas por meio dos debates, jogos teatrais, espetáculos assistidos e experiências pessoais de cada um que contribuíram para o andamento da disciplina, que se mostrou extremamente importante e com um caráter interdisciplinar. De uma forma particular, o curso foi fundamental para a minha formação acadêmica e pessoal, me permitindo pensar o teatro e a arte contemporânea sociologicamente.
A disciplina de Teatro Virtual Político, ministrada pela professora Dhenise, se revelou eficaz e proveitosa, o que é evidente nas apresentações realizadas na última semana como trabalho final do curso. O primeiro grupo a se apresentar, com a peça REcorts, trouxe à tona elementos relevantes, como o uso da Inteligência Artificial, promovendo uma reflexão não apenas sobre a aplicação dessa ferramenta no teatro virtual, mas também suscitando uma preocupação com a soberania popular no que se refere às IAs. Na segunda apresentação, foi possível perceber as diferenças e as formas de interação entre o teatro virtual e o presencial, uma vez que o grupo mesclou ambas as modalidades. Por fim, o último grupo, no qual participei, desenvolveu um trabalho a partir do texto de Jota Mombaça “Rumo a uma redistribuição desobediente de gênero e anticolonial da violência!”, que dialoga com o conceito de Necropolítica de Achille Mbembe. A partir desse diálogo construímos uma reflexão sobre as relações de poder e como essas relações determinam quem pode viver e quem deve morrer.
Em conclusão, o estudo do teatro virtual político proporcionado pela disciplina nos permitiu expandir as fronteiras da arte e da comunicação, trazendo à tona questões cruciais para o cenário contemporâneo. Através das apresentações, discussões e experiências vividas, ficou evidente que o teatro, ao se adaptar ao ambiente digital, não perde sua capacidade de provocar reflexão e transformação, mas se reinventa, enfrentando novos desafios e oportunidades. A articulação entre teoria e prática possibilitou uma compreensão mais profunda do papel do teatro como ferramenta de resistência, de questionamento social e político, e de potencialização de vozes, ao mesmo tempo que ampliou nosso olhar sobre as questões que perpassam o uso das novas tecnologias.
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